Coluna Ibá – Revista O Papel – Maio de 2023

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COLUNA IBÁ – DIVULGAÇÃO IBA

Celulose Solúvel, Sinônimo de inovação e desenvolvimento social

O mundo em que vivemos está apoiado em pilares que ameaçam ceder frente à emergência climática sem precedentes. Este cenário é fruto da exploração desenfreada de recursos fósseis e de uma economia global altamente dependente da emissão de gases de efeito estufa. Hoje, o mesmo mundo clama por soluções criativas e inovadoras como parte de uma nova economia verde do futuro.

Nessa tarefa de dar as mãos à natureza na busca de construir um amanhã melhor, a indústria de base florestal, reconhecidamente sustentável em seu processo de elaboração, também começa a despontar para a sociedade como uma parceira no fornecimento de produtos ambientalmente amigáveis para o dia a dia.

Em viagens pelo mundo, como Conferências das Partes (COPs), Congressos Florestais, missões governamentais, reuniões, palestras e debates, é perceptível que, com o passar dos anos, o setor de árvores cultivadas tem se estabelecido como um benchmark no quesito cuidado ambiental no campo e na indústria.

O manejo responsável dos 9,9 milhões de hectares de áreas plantadas, aliado à conservação de mais 6,05 milhões de hectares, uma área maior que o estado do Rio de Janeiro, assim como todos os serviços que tais áreas prestam ao meio ambiente são um dos pilares que sustentam esta visão. O cuidado também no processo fabril que privilegia o uso de fontes renováveis na geração de energia e o menor uso de água para fabricação do mesmo produto são diferenciais que chamam a atenção.

Toda essa matéria dá origem a produtos que são biodegradáveis, recicláveis e alternativas a materiais de origem fóssil. Para além dos atributos ambientais, a tecnologia empregada e valor agregado ainda mais alto que os bioprodutos do setor carregam, graças a investimentos em ciência e tecnologia, começam a ganhar ainda mais luz aos olhos do mundo.

Um fantástico exemplo é a celulose solúvel, que extrapola os limites do setor e possibilita a substituição de matéria-prima de origem fóssil em uma série de segmentos industriais como têxtil, alimentício, beleza, higiene, entre outros.

Exemplo diário é a salsicha, que é cozida em um molde de viscose. Isso quer dizer que a pele da salsicha, assim como de outros alimentos industrializados, como o salame, contém a matéria-prima. Ainda na seara da alimentação, produtos dietéticos levam celulose solúvel, pois ela substitui a gordura animal e dá a mesma cremosidade. Um exemplo é o milk-shake diet.

Mais uma aplicação em um item que está em nossas mãos no dia a dia é a pasta de dente. A textura firme que conhecemos deve-se à celulose solúvel. Não fosse assim, seria um líquido. Também é interessante lembrar que as cápsulas de remédios recebem a matéria-prima renovável. Ela permite, inclusive, que os laboratórios desenvolvam medicamentos que serão liberados após o tempo necessário de ingestão ou no local correto do organismo. Até mesmo em uma viagem de avião temos contato com fibras vindas da madeira cultivada, que é utilizada como reforço de pneus de alta performance, pois é mais resistente a altas temperaturas do que matérias-primas de origem fóssil.

Outra aplicação que merece amplo destaque é na indústria da moda. Trata-se de uma substância imensamente versátil e seus usos ainda são alvo de pesquisa e desenvolvimento. Hoje a celulose solúvel é muito utilizada como filamento de viscose, revestindo tecidos delicados, como gravatas, roupas íntimas, vestidos e até tecido jeans, para não mencionar toalhas e roupa de cama. A partir da viscose, é possível produzir uma fibra com alto potencial de oferecer alternativa sustentável e de qualidade para a indústria têxtil, até mesmo como alternativa ao poliéster.

Os benefícios do crescimento desse segmento da indústria de base florestal toca também na esfera social. Aportes vultuosos e geração de empregos são aspectos que marcaram a construção das plantas fabris de Bracell, em São Paulo, e da LD Celulose, em Minas Gerais, as quais tive o prazer de visitar, recentemente.

Em Lençóis Paulista-SP, a Bracell levantou uma planta híbrida, chamada projeto Star, capaz de produzir celulose kraft e celulose solúvel. Ali foram mais de R$ 8 bilhões investidos em uma unidade, cujo sinônimo é a sustentabilidade. Cada detalhe foi pensado e desenvolvido visando a respeitar o meio ambiente. Assim, foram cerca de 11 mil trabalhadores temporários no pico das obras e outros 6,5 mil postos de trabalho fixos, diretos e indiretos.

A LD Celulose, por sua vez, instalou-se no Triângulo Mineiro. Fruto de joint venture entre a Dexco e a austríaca Lenzing, o negócio nasceu destinado ao sucesso, uma vez que a companhia da Áustria já comprou toda a produção até o fim de 2025. Lá, toda a celulose solúvel será destinada para dar origem a tecidos.

Na visita, também chamou a atenção o cuidado ambiental do projeto, que recebeu investimentos na ordem de US$ 1,3 bilhão e gerou 9,6 mil empregos no auge da construção e, atualmente, conta com 1,5 mil colaboradores, diretos e indiretos.

O investimento em ciência e tecnologia, apesar de não significar, sozinho, a solução de nossos maiores problemas, é elemento essencial na caminhada para o futuro e na construção dessas soluções. Suas benesses, como podemos perceber, quando bem planejado, vão além dos aspectos ambientais e podem significar estímulo ao desenvolvimento de regiões anteriormente sem dinamismo econômico e afastadas de grandes centros.

Exemplos de inovação com alto potencial disruptivo de novos mercados sustentáveis como a celulose solúvel são ótimos exemplos de que é possível moldar o futuro em direção a uma economia saudável, produtiva e em harmonia com o meio ambiente. Olhar para a bioeconomia como caminho para o futuro sustentável que almejamos significa multiplicar tais frutos, os quais resultam de anos de comprometimento com a sustentabilidade e a inovação, ao mesmo tempo valorizando-os como novos alicerces de uma economia mais sustentável.

COLUNA IBÁ – DIVULGAÇÃO IBA
Embaixador José Carlos da FonsecaONSECA JR.
Diretor executivo da IBÁ, com assento no Comité Diretor do The Forests Dialogue (TFD), no Advisory Committee on Sustainable Forest-based Industries (ACSFI), da FAO, e Cofacilitador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. indústria brasileira de árvores

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