Os cortes nas bordas da chapa de Papelão Ondulado (PO) normalmente são cortes transversais ao “sentido” das ondas; correspondem àqueles cortes feitos na onduladeira ao longo do comprimento da chapa e que determinam, por dois cortes paralelos, a largura da chapa em fabricação. As facas devem estar bem afiadas para não cortar sob pressão e esmagar as bordas da chapa de tal forma que a espessura pareça diminuída, o que se percebe pelo amassamento das ondas ao longo do comprimento da chapa. Às vezes, até mesmo “rebarbas” podem surgir decorrentes de facas pouco afiadas.
O que foi dito acima aparece nas caixas amarradas na saída das impressoras dando um aspecto que indefine o tipo de onda usado; é comum, olharmos para os amarrados, ou melhor, para essa linha de corte e não conseguirmos definir que tipo de onda foi usado: uma onda tipo C, por exemplo, pode ser confundida com uma onda tipo B. Quando se trata de uma onda tipo A, de maior “altura”, a espessura pode parecer bem mais esmagada. Nesses casos, porém, o “problema” é apenas visual, não crítico.
Quando a chapa é fabricada para acessórios, digamos uma CR (Cinta de Reforço), o esmagamento das bordas pode trazer prejuízos à resistência à compressão (pois o uso de uma CR está, na maioria das vezes, associado a uma melhoria da resistência à compressão). Ao efetuar a compressão observa-se, primeiro, um esmagamento da borda; pode não determinar uma diminuição da resistência registrada no momento de colapso, mas haverá uma diminuição da “altura” antes de a CR começar a oferecer resistência à carga de compressão. E, nessa diminuição de altura, o conteúdo transportado pode estar sendo submetido a essa carga de compressão, por exemplo, no empilhamento. Sendo o conteúdo frágil, digamos cartuchos de cartão com algum produto em pó ou granulado, os cartuchos poderão apresentar amassamentos indesejáveis.
Observa-se a importância desse corte de borda no ensaio de resistência de coluna: No método TAPPI as bordas do corpo de prova são parafinadas para tornar rígidas as duas “linhas” paralelas que delimitam a largura do corpo de prova (isso é definido no método de ensaio). No método FEFCO não há esse procedimento e o corpo de prova tem pequena largura e o corte pode ser um problema crítico: precisa ser “limpo” e preservar a total espessura do PO do corpo de prova em ensaio. No método ABNT as bordas são protegidas já que são presas, pressionadas, entre duas “barras” tanto na borda superior quanto na borda inferior. Aqui, o problema é o limite de aperto que se deve dar na aproximação das barras; um aperto insuficiente, isto é, aquele que permite ao corpo de prova sofrer esmagamento nas bordas invalidará o ensaio. Esse é um ponto crítico na execução do ensaio ABNT; exige habilidade e sensibilidade ao laboratorista para que o resultado seja confiável.
Na fabricação de embalagens ou acessórios, onde a resistência à compressão da embalagem (RCE) é especificada e, por isso, item de rejeição pelo controle de qualidade (tanto no fabricante da embalagem quanto no controle de qualidade do usuário), esse aspecto do corte deve ser observado quanto a uma possível influência na RCE, porque há casos não relevantes.
Embalagens fabricadas no processo CV (aquelas “cortadas” por estampos, formas) têm, ao lado das facas de corte, uma borracha para ejetar a chapa cortada após estampada; essas borrachas tendem a provocar um esmagamento ao lado da lâmina de corte. Além da qualidade do corte, há outro problema a exigir cuidado: a qualidade do corte depende do ferramental, a forma deve estar com todas as suas lâminas de corte bem afiadas, o que exige, sempre que usada, uma revisão criteriosa para quando retornar à máquina, a forma esteja com o “estado” de nova (facas que perderam o corte devem ser trocadas e é função do departamento encarregado das formas CV examinar).
E, também, não se trata apenas dos cortes nas bordas da chapa que deram título a este artigo; onde houver lâminas de corte o cuidado quanto à qualidade do corte deve ser ponto crítico no exame quando a forma volta da máquina (CV) para o arquivo no departamento que cuida do ferramental.
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